{"id":2110,"date":"2023-04-07T08:26:01","date_gmt":"2023-04-07T08:26:01","guid":{"rendered":"http:\/\/universoautista.com.br\/oficial\/?p=2110"},"modified":"2023-04-07T12:00:10","modified_gmt":"2023-04-07T12:00:10","slug":"hiperlexia-em-um-caso-de-autismo-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/universoautista.com.br\/portal7\/hiperlexia-em-um-caso-de-autismo-2\/","title":{"rendered":"Hiperlexia em um caso de autismo"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hiperlexia em um caso de autismo<\/p>\n\n\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/universoautista.com.br\/oficial\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/hiperlexia.jpg\"><img  title=\"\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2111 size-medium\" src=\"http:\/\/universoautista.com.br\/oficial\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/hiperlexia-300x272.jpg\"  alt=\"hiperlexia-300x272 Hiperlexia em um caso de autismo\"  width=\"300\" height=\"272\" \/><\/a>O caso em quest\u00e3o trata de uma crian\u00e7a com diagn\u00f3stico de autismo e hiperlexia associada. Kanner (1943) percebeu a presen\u00e7a desse fen\u00f4meno quando primeiramente descreveu e definiu o autismo, e Silberberg e Silberberg (1967) definiram o termo &#8220;hiperlexia&#8221; para descrever crian\u00e7as que liam em n\u00edveis al\u00e9m daqueles esperados para sua idade na presen\u00e7a de comunica\u00e7\u00e3o oral desordenada.<\/p>\n<h2>Ap\u00f3s d\u00e9cadas de pesquisa,<\/h2>\n<p>tr\u00eas caracter\u00edsticas da hiperlexia emergiram: presen\u00e7a de desordem do desenvolvimento da comunica\u00e7\u00e3o, mais comum nas doen\u00e7as do espectro do autismo (Healy et al., 1982); aquisi\u00e7\u00e3o da habilidade da leitura antes dos 5 anos sem instru\u00e7\u00e3o expl\u00edcita (Nation, 1999);<\/p>\n<p>relativa habilidade para o reconhecimento avan\u00e7ado das palavras para a idade mental (Temple et al., 2001; Welsh et al., 1987). A verdadeira preval\u00eancia para a hiperlexia n\u00e3o \u00e9 totalmente dispon\u00edvel, mas um estudo encontrou a preval\u00eancia de 2,2\/10.000 para esse transtorno na popula\u00e7\u00e3o geral (Yeargin-Allsopp et al., 2003).<\/p>\n<p>O primeiro passo a ser dado diante desses casos seria a diferencia\u00e7\u00e3o com o transtorno de Asperger. Segundo o DSM-IV-TR, o autismo apresenta-se com anormalidades significativas nas \u00e1reas de intera\u00e7\u00e3o social, linguagem e brincadeiras, enquanto, no transtorno de Asperger,<\/p>\n<p>as habilidades cognitivas e ling\u00fc\u00edsticas n\u00e3o sofrem significativo atraso. No autismo, as atividades e os interesses s\u00e3o restritos, repetitivos e estereotipados, al\u00e9m de apresentar maneirismos motores, preocupa\u00e7\u00e3o com partes de objetos, rituais e perturba\u00e7\u00f5es relacionadas a mudan\u00e7as do ambiente.<\/p>\n<h2>Hiperlexia em um caso de autismo &#8211; Asperger\u00a0<\/h2>\n<p>No transtorno de Asperger, essas caracter\u00edsticas manifestam-se principalmente pela insist\u00eancia em interesse circunscrito, com dedica\u00e7\u00e3o de uma grande parcela de tempo reunindo informa\u00e7\u00f5es e fatos. O autismo ainda \u00e9 marcado por isolamento ou abordagens sociais restritas e r\u00edgidas. J\u00e1 no transtorno de Asperger, h\u00e1 aproxima\u00e7\u00e3o dos outros, mesmo que de modo exc\u00eantrico e insens\u00edvel (American Psychiatric Association, 2005). Na pr\u00e1tica cl\u00ednica, a diferencia\u00e7\u00e3o entre os dois transtornos pode ser dif\u00edcil.<\/p>\n<h2>Apesar de as crian\u00e7as com hiperlexia<\/h2>\n<p>n\u00e3o compreenderem tudo que l\u00eaem, as letras impressas podem se tornar um importante meio de comunica\u00e7\u00e3o, porque sua aten\u00e7\u00e3o ao texto \u00e9 maior do que \u00e0 voz (Tager-Flusberg, 2004).<\/p>\n<p>Na verdade, os resultados para a habilidade verbal e o quociente de intelig\u00eancia s\u00e3o maiores para crian\u00e7as autistas com hiperlexia do que para as outras crian\u00e7as com autismo (Charman, 2004), possivelmente porque a leitura possibilita uma ferramenta adicional na comunica\u00e7\u00e3o e na socializa\u00e7\u00e3o (Kistner et al., 1988).<\/p>\n<h2>Investiga\u00e7\u00f5es neuropsicol\u00f3gicas<\/h2>\n<p>&#8230;da leitura na hiperlexia t\u00eam explorado v\u00e1rias hip\u00f3teses para justificar a leitura precoce e alcan\u00e7aram diversas conclus\u00f5es. Algumas das discrep\u00e2ncias s\u00e3o em parte devidas \u00e0 aus\u00eancia de controles e diferen\u00e7as nos crit\u00e9rios de inclus\u00e3o (Temple et al., 2001). Uma teoria prevalente diz que a leitura precoce pode ser explicada por uma vantajosa configura\u00e7\u00e3o visual anal\u00edtica.<\/p>\n<p>Esse mecanismo foi primeiramente proposto por Cobrinik (1982) baseado na evid\u00eancia de que crian\u00e7as hiperl\u00e9xicas reconhecem visualmente palavras degradadas mais facilmente do que os controles. Cohen et al. (1997) tamb\u00e9m encontraram evid\u00eancias em uma teoria de padr\u00e3o de reconhecimento visual, demonstrando que o grupo de crian\u00e7as com preju\u00edzos espec\u00edficos<\/p>\n<p>da linguagem e hiperlexia foi melhor em testes de habilidades da percep\u00e7\u00e3o visual do que o de crian\u00e7as com preju\u00edzos espec\u00edficos da linguagem sem hiperlexia.<\/p>\n<h2>Hiperlexia em um caso de autismo &#8211; habilidade<\/h2>\n<p>Por outro lado, Goldberg (1987) prop\u00f4s que a hiperlexia \u00e9 um exemplo de habilidade s\u00e1bia, baseada no avantajado sistema de mem\u00f3ria de procedimento. Igualmente, Sparks (1995) concluiu que a hiperlexia em crian\u00e7as envolve o caminho da mem\u00f3ria ortogr\u00e1fica para a leitura.<\/p>\n<p>Entretanto, Turkeltaub et al. (2004) acreditam que nem a teoria visual nem a teoria da rota da mem\u00f3ria podem explicar a habilidade de muitas crian\u00e7as com hiperlexia de decifrar s\u00edmbolos que n\u00e3o sejam palavras, um processo que<\/p>\n<p>necessita da constru\u00e7\u00e3o fonol\u00f3gica, al\u00e9m de analogia para palavras verdadeiras ou aplica\u00e7\u00e3o de regras para a aplica\u00e7\u00e3o de s\u00edmbolos.<\/p>\n<h2>Contrastando a hip\u00f3tese n\u00e3o fonol\u00f3gica,<\/h2>\n<p>Welsh et al. (1987) conclu\u00edram que a hiperlexia era baseada em uma capacidade fonol\u00f3gica avan\u00e7ada utilizada para decodificar s\u00edmbolos de fonemas, ou melhor, para o acesso l\u00e9xico direto. Healy et al. (1982) e Temple et al. (2001) concordaram que a leitura hiperl\u00e9xica apresenta modifica\u00e7\u00e3o no processo fonol\u00f3gico, mas sugeriram que estrat\u00e9gias n\u00e3o usuais s\u00e3o adaptadas e que as habilidades na aquisi\u00e7\u00e3o da leitura provavelmente seguem um caminho t\u00edpico e seq\u00fcenciado,<\/p>\n<p>incluindo o reconhecimento de \u00edcones para a decodifica\u00e7\u00e3o fonol\u00f3gica do alfabeto por meio do processo l\u00e9xico direto.<\/p>\n<p>Crian\u00e7as que exibem boa sensibilidade fon\u00e9tica antes de ir \u00e0 escola tornam-se bons leitores (Bradley e Bryant, 1983) e continuam a real\u00e7ar suas habilidades fon\u00e9ticas conscientes pela sua experi\u00eancia de leitura (Wagner et al., 1993). Tem sido proposto que boa linguagem expressiva e receptiva \u00e9 um importante quesito para o desenvolvimento da habilidade fon\u00e9tica consciente. Entretanto, uma altera\u00e7\u00e3o na emerg\u00eancia da linguagem oral e da habilidade fon\u00e9tica consciente nas crian\u00e7as com hiperlexia sugere que a fon\u00e9tica consciente pode operar independentemente da habilidade geral da linguagem.<\/p>\n<h2>Dados neuropsicol\u00f3gicos<\/h2>\n<p>&#8230;podem ajudar a reconciliar as teorias discrepantes da hiperlexia apresentadas anteriormente. Al\u00e9m disso, as bases neurais da leitura na hiperlexia permanecem inexploradas. Alguns casos de hiperlexia t\u00eam apresentado padr\u00f5es anormais no eletroencefalograma (EEG), segundo Glosser et al. (1996), mas os padr\u00f5es anormais de atividade el\u00e9trica t\u00eam se demonstrado diferentes nos estudos (Goldberg, 1987; Aaron et al., 1990). Al\u00e9m disso, Goldberg (1987) relatou casos com EEG normal.<\/p>\n<p>Alguns modelos neurais da hiperlexia t\u00eam seguido achados neuropsicol\u00f3gicos. Baseado na explica\u00e7\u00e3o da leitura na hiperlexia por meio do padr\u00e3o de reconhecimento visual, Cobrinik (1982) prop\u00f4s que h\u00e1 uma avantajada configura\u00e7\u00e3o do hemisf\u00e9rio visual medial direito na leitura precoce (Patti e Lupinetti, 1993).<\/p>\n<h2>Por outro lado,<\/h2>\n<p>Welsh et al. (1987) demonstraram uma prefer\u00eancia pela decodifica\u00e7\u00e3o fonol\u00f3gica sob o acesso l\u00e9xico direto e propuseram que sistemas cerebrais para a decodifica\u00e7\u00e3o fonol\u00f3gica se hipertrofiam para compensar defici\u00eancias nos outros sistemas de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Baseado nos modelos atuais neuroanat\u00f4micos da leitura, essa teoria poderia predizer o hiperdesenvolvimento do giro hemisf\u00e9rico frontal inferior e do c\u00f3rtex temporal p\u00f3stero-superior (Pugh et al., 2001).<\/p>\n<p>Richman e Wood (2002) reconheceram a hip\u00f3tese do hemisf\u00e9rio direito e esquerdo, afirmando que as crian\u00e7as hiperl\u00e9xicas com desordens<\/p>\n<p>verbais dependem das associa\u00e7\u00f5es corticais do hemisf\u00e9rio visual direito para a leituraenquanto hiperl\u00e9xicas com desordens na leitura n\u00e3o-verbal dependem da hipertrofia dos sistemas de linguagem do hemisf\u00e9rio esquerdo para a leitura.<\/p>\n<h2>Hiperlexia em um caso de autismo &#8211; Estudos<\/h2>\n<p>Por fim, um estudo recente testou essas \u00faltimas hip\u00f3teses. Turkeltaub et al. (2004), por meio da resson\u00e2ncia magn\u00e9tica funcional, estudaram a habilidade da leitura precoce em um garoto com hiperlexia e encontraram,<\/p>\n<p>maior atividade no c\u00f3rtex frontal inferior esquerdo, no c\u00f3rtex temporal superior e no sulco temporal inferior direito do que nos controles.<\/p>\n<p>Eles sugeriram que a leitura precoce est\u00e1 associada a essas \u00e1reas, diferenciando-se da dislexia, que apresenta hipoatividade no c\u00f3rtex temporal superior esquerdo. Outro estudo semelhante sugeriu o envolvimento do lobo temporal (Cardy et al., 2005).<\/p>\n<p><strong>A seguir uma mat\u00e9ria sobre a dislexia.<\/strong> <strong>Clique aqui<\/strong><\/p>\n<p>Fonte: NEPN <a href=\"https:\/\/www.itad.pt\/perturbacao-da-linguagem\/hiperlexia\/\">Clique aqui<\/a><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hiperlexia em um caso de autismo \u00a0 O caso em quest\u00e3o trata de uma crian\u00e7a com diagn\u00f3stico de autismo e hiperlexia associada. 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